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Dependencia Quimica: O Que Você Precisa Saber

 

Olá pessoal! Hoje iremos falar sobre a Dependência Química (DQ) e tentar desmistificar vários estigmas e preconceitos que existem nesse tema.

 

Quando falamos de DQ primeiramente temos que entender que estamos falando de uma doença. Isso mesmo. A Organização Mundial de Saúde considera a intoxicação química por substâncias psicoativas como uma doença e classifica a compulsão por drogas como transtornos mentais e comportamentais, senso assim o uso e abuso de substâncias, prescritas ou não por um médico, podem levar a alterações comportamentais ou psicológicas que variam conforme a substância psicoativa.

 

 

Quais as variações de comportamentos que podemos ter de acordo com as substâncias?

 

As drogas podem causar três efeitos no nosso sistema nervoso central (SNC): Deprimir, Estimular e Perturbar. Vamos ver quais?!

 

Depressoras do SNC: Pessoas sob efeito tornam-se sonolentas, lerdas, desatentas e desconcentradas. Quais são? O álcool, soníferos ou hipnóticos (drogas que provocam sonos), barbitúrico, ansiolíticos (calmantes), opiáceos ou narcóticos (aliviam a dor e dão sonolência), inalantes ou solventes (colas, tintas, removedores, etc...).

 

Estimulantes do SNC: Provocam aumento da vigília, da atenção, aceleração do pensamento e euforia. Quais são? Os anorexígenos (drogas que diminuem a fome, como as anfetaminas), a cocaína, nicotina e cafeína.

 

Perturbadores do SNC: Produzem quadros de alucinação ou ilusão, geralmente de natureza visual, provocados pela perturbação do cérebro. Quais são? A mescalina (do cacto mexicano), THC (maconha), psilocibina (certos cogumelos), lírio (trombeteira, zabumba e saia branca) ou os de origem sintética: LSD ou ecstasy.

 

 

Mas como se fica dependente de uma substância?

 

Existem vários fatores envolvidos nesse processo. Sendo assim, dependência vai ser influenciada por particularidades Comportamentais (personalidade, o quanto me identifico com o efeito daquela substância), pela genética (propensão à dependência por heranças genéticas), neurobiologia (efeito dessa substância no nosso sistema nervoso central), ambiente (influencia psicosociocultural).

 

Mas tudo começa pelo USO, pelo esporádico/ episódio ou experimentação da substância, o famoso e verdadeiro uso social.

 

Do uso se pode passar para o ABUSO. Neste o consumo de substância já está associado a algum prejuízo ao usuário, seja por ordem psicológica, biológica ou social (o uso nocivo).  Estamos falando aqui daquela pessoa que já está sendo sinalizada pelo amigos e parentes de que está exagerando, aquela pessoa que no efeito da substância gera conflitos entre as pessoas, briga com todo mundo, que falta ao trabalho pois está indisposto devido um uso abusivo anterior, ou até mesmo aquele que já está com problemas na saúde física devido ao abuso da substância. No abuso prolongado a pessoa começa a desenvolver uma tolerância aquela droga, então os efeitos antes atingidos com uma quantidade x, agora ele precisa de 2x para atingir o mesmo efeito, e assim ele vai precisando aumentar essa dosagem para atingir aquele efeito esperado.

 

Do abuso se passa para a DEPENDÊNCIA. Mas vamos entender como isso acontece nosso magnífico cérebro?! Nosso cérebro possui uma região chamada ‘SISTEMA DE RECOMPENSA’, esse sistema é formado por circuitos neuronais responsáveis pelas ações reforçadas positivamente e negativamente. Quando nos deparamos com um estimulo prazeroso, nosso cérebro lança um sinal (aumento de dopamina, importante neurotransmissor do SNC) no núcleo accumbens (região central do sistema de recompensa e importante para os efeitos das drogas de abuso). Esse aumento de dopamina ele é comum em todos nossos estímulos prazerosos, como comida, sexo, beber água, ouvir uma boa música... O abuso das drogas age no neurônio dopaminérgico induzindo um aumento exacerbado de dopamina no núcleo accumbens, mecanismo comum para todas as drogas de abuso. Esse sinal é reforçador, nos dá sensação de prazer, fazendo com que a busca pela droga se torne casa vez mais provável e compulsivo, desta forma a ação da droga de abuso sobre o sistema de recompensa cerebral pode levar ao desenvolvimento da dependência.

Nesse tópico podemos desmistificar qualquer ideia de que a dependência química é algo moralmente julgável. Não é imoral, não é vagabundagem uma pessoa ser dependente químico. Essa pessoa está doente e precisa ser tratada e acima de tudo respeitada.

 

A DQ é PROGRESSIVA, se não tratada ela tende muito a piorar. É INCURÁVEL, assim como diabetes, hipertensão, a DQ também não tem cura, mas ela é TRATÁVEL, e assim como essas outras enfermidades, o tratamento somente terá sucesso com o DESEJO da pessoa em se tratar, com o reconhecimento das consequências da dependência ativa e de que é possível viver sem a droga, ter prazer sem ela, é possível passar por situações estressoras sem ela.

 

 

Mas por que pode parecer ser difícil fazer um dependente ter esse desejo em tratar?

 

Muitas vezes é pelo fato dele não se ver como um dependente daquela substância, pois uma das principais características da doença é a NEGAÇÃO. Ele não mente para ele mesmo que não está dependente, mas ele realmente não se reconhece como tal, ele acredita que tem o controle sobre a substância e não ela sobre ele. E muitas vezes a ‘ficha cai’ quando os prejuízos (financeiros, familiares, sociais, etc...) já estão atrelados, e/ou quando o uso gerou um risco para sua vida ou para terceiros.

 

Além disso, o tratamento traz efeitos desagradáveis ao paciente com a SÍNDROME DE ABSTINENCIA e a FISSURA (craving). A Síndrome é caracterizada por reações desagradáveis do nosso organismo após um tempo relativo sem utilizar aquela substância desejada. Esses efeitos podem ser:  irritabilidade, ansiedade, fadiga, sudorese, vômitos, depressão e em casos mais graves até convulsões e alucinações. Porem os efeitos vão diminuindo com o aumento do tempo de abstinência, até que se consiga levar uma leve na ausência da droga. E a fissura, intimamente ligada com a memória, se refere ao desejo intenso e urgente em usar a substância, podendo ser sanada no uso de medicamento (popularmente chamado de SOS), ou por ser um efeito momentâneo, dependendo de como está sendo o tratamento, apenas com o autocontrole desenvolvido em terapia.

 

Temos que lembrar que os efeitos desagradáveis vão de acordo com o nível da dependência com a substância e que o tratamento possui várias formas de minimiza-lo ainda mais. Não importa se é pelo SUS ou em clínicas particulares, será sempre recomendado um tratamento multidisciplinar e o envolvimento da família nesse processo. O apoio da família e de amigos facilita todo o processo.

Como eu já havia dito, falar sobre dependência química é complexo e requer muita discussão e páginas para serem escritas, mas aqui eu tentei sanar dúvidas básicas a respeito do tema, para que alguns mitos pudessem ser quebrados e as pessoas que lessem pudessem se sentir, de forma segura, mais perto das drogas.

 

Espero que tenham gostado!

 

Bárbara Bayerl A. Machado

Psicóloga - CRP 16/3963

Barbara.bayerlam@gmail.com

 

 

 

 

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